sábado, 13 de janeiro de 2024

PRAÇA DA SANTA CRUZ DA BICA, DOS PRIMITIVOS MARCOS DA CIDADE

 


CAMINHOSDENATAL: PRAÇA DA SANTA CRUZ DA BICA, DOS PRIMITIVOS MARCOS DA CIDADE

 

A Praça da Santa Cruz da Bica representa um dos primitivos marcos de Natal. É provável que tenha sido construída à época da fundação da Cidade.

Os portugueses e espanhóis adotavam o ritual de limitar com cruzes, os limites urbanos das povoações que fundavam. No caso de Natal, a cruz da bica de beber água assinalava os limites da Cidade pelo lado sul. Uma outra cruz, fincada na atual Av. Câmara Cascudo (antiga avenida Junqueira Aires), à altura da praça das Mães, assinalava os limites norte da Cidade.

Afirma o historiador Nestor Lima, que a primitiva Cruz da Bica foi chantada em um local mais abaixo da encosta sul da área urbana, quase à margem direita do rio do Baldo. Posteriormente a cruz foi trasladada, para o seu atual pedestal, por ocasião dos serviços de abastecimento d’água, realizados pela Empresa d’Água de Natal, de Bigois & Leinhardt, no final do século XIX. A referida empresa construiu grandes coletores de água, na Cidade Alta e Ribeira.

Segundo Câmara Cascudo, “no cruzamento de certas ruas, erguiam-se chafarizes, com torneiras reluzentes. Eram pontos de concentração popular’’.

No dia 24 de março de 1674, já existia a bica, no então rio de Beber Água, o riacho do Baldo atual. Assim o indica a ata de uma reunião do antigo Senado da Câmara do Natal, daquela data.

O mais remoto registro que trata de terras concedidas nas imediações da atual praça da Santa Cruz da Bica, data de 24 de setembro de 1675, cujo beneficiário foi o vigário Paulo da Costa Barros. As terras concedidas ficavam ‘’junto à fonte desta Cidade’’.

Segundo o pesquisador Olavo de Medeiros Filho, aquela terra “tomava o rumo do Potengi, iniciando–se na confrontação da rua Santo Antônio. A margem esquerda do riacho do Baldo, indo até o sopé do monte, que hoje é a subida do Alecrim’’.

Outro registro de data e sesmaria, concedida a Nicolau José de Almeida, em 24 de abril de 1766, também nas imediações do Baldo, faz referência a uma outra denominação tomada pelo rio: “no rio chamado do Cajueiro, desta mesma Cidade’’… pegando do dito rio de beber água, chamado o Cajueiro’’.

Outro registro de concessão de terras feita pelo Senado da Câmara do Natal, a Manuel Raposo da Câmara, em 27 de outubro de 1766, refere-se a uma cruz, no local onde ficava a fonte da Cidade, “entre as casas… e o caminho que passa pela cruz de beber’’.

FONTE – PAPO CULTURA

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